Sobre Identidade de Gênero e Orientação Sexual

Por Breno Lucano

Quando terminei minha graduação escrevi sobre uma abordagem filosófica sobre o uso de drogas em meu TCC. Foi apenas uma abordagem, dentro tantas que existem sobre esse tema. Isso é ciência. Ela se faz por diferentes narrativas dialéticas, onde se pode observar o mesmo objeto por variados angulos. Qualquer um que tenha feito uma simples graduação sabe disso.

O mesmo ocorre quando discorremos sobre temas espinhosos porque novos, como identidade de gênero e orientação sexual. Alguns dirão que não passa de ideologia de gênero gayzista. Não me preocupo muito com esses. Seria melhor que lessem antes do assunto antes de tecer considerações proveitosas, assim como tive que ler sobre uso de drogas. Não me atreveria escrever sobre fiísica quantica. Não é minha área, nada conheço sobre o assunto. Teria que ler sobre o assunto, refletir e, depois tecer algumas considerações. Não tenho como dizer se Stephen Hawking estava certo ou não porque nunca li um livro seu. Ele é um autor especialista.

Teorias Éticas

por Breno Lucano

Ao longo de alguns meses tenho explicado algo mais específico no universo da ética, onde esmiucei um pouco nos textos Consciência Moral, Ignorância e Responsabilidade e Caráter Histórico da Moral. Mas igualmente temos que refletir sobre o próprio conteúdo dessa responsabilidade e obrigação moral, de modo que discursemos sobre como devemos agir. Assim, inicio o artigo com a seguinte pergunta: o que me obrigo a fazer?

Para responder essa pergunta, os éticos costumam dividir suas teorias em dois blocos: ética deontológica e ética teleológica. Uma teoria ética deontológica (do grego déon, dever) recebe esse nome quando não se faz depender a obrigatoriedade da ação exclusivamente das consequências da própria ação ou de uma norma específica. As teorias teleológicas (télos, fim), por outro lado, derivam o conteúdo moral unicamente das consequências, do fim, das ações.

Períodos da Filosofia Antiga

por Breno Lucano

É comum na historiografia filosófica antiga três grandes períodos que demarcam os diversos autores. O primeiro período se inicia com os pré-socráticos - também chamados de cosmológicos -, que principia com Tales de Mileto e finda com Sócrates de Atenas; o segundo, chamado de antropológico ou socrático, começa com Sócrates e os sofistas e vai até Aristóteles; e, finalmente, com o período helenístico, que vai do surgimento dos sistemas cosmopolitas (epicurismo, estoicismo, neoplatonismo e ceticismo) e se estende até o final do Império Romano.

Vale lembrar que esses períodos conservam alguma relação com os períodos históricos, mesmo que precariamente. Eles possuem função meramente cronológico e didática e não devem ser vinculados fielmente à história como a conhecemos, seja história arcaica, clássica e helenista. Servem, antes, apenas como categorias através do qual seja possível compreender melhor os diversos sistemas filosóficos.

Proclo e a Origem do Mal

Proclo
por Breno Lucano

Sobre a questão do mal, Proclo escreve três trabalhos: "Dez aporias relativas à prónoia" (De decem), "Sobre prónoia, destino e liberdade" e "Sobre a existência do mal" (De malorum subsistentia), chegando a uma solução perfeitamente autônoma e interessante. 

Ocorre que Proclo não se mostra convencido com a posição estóica sobre o mal, que buscam negá-lo e alocá-lo entre os indiferentes. Tampouco aceita a tese segundo a qual a providência não deve ser estendida ao âmnito das coisas terrenas. A suposição de Plutarco, de que haveria uma alma que efetua o mal, não o deixa satisfeito, o que ocorre também com a tese de Plotino, que associa a matéria com o mal. Como matéria é a última emanação da causa suprema e boa, ela não pode ser má, e sim, no máximo, neutra, nem boa nem má. Proclo busca outras saídas. 

O autor tenta, então, manter as duas posições - a tese do bom Deus e a existência do mal - sem que decorra delas uma contradição. Ele quer ver providência como uma causa que a tudo governa, e que, não obstante, não é responsável pelo mal nem direta nem indiretamente. Com essa finalidade, ele oferece uma análise expressiva da noção de causa. Proclo contesta que haja uma única causa para o mal, como supõem, por exemplo, os maniqueus. Ele fundamenta esta tese com a observação de que não haveria uma existência (hipóstase) própria para o mal, mas uma existência apenas colateral. Vejamos de que modo.

Ética e Hedonismo

por Breno Lucano

Muito se fala do dever enquanto modalidade ética e, assim, contra as proposições hedonistas., e disso já discorri no texto sobre Hedonismo, entre outros. Assim, o prazer se torna o oposto do dever, dois blocos diametralmente opostos na ética. Muito disso se deve à nossa herança iluminista, especialmente Kant; e, num modelo mais popular, ao cristianismo.

Ao contrário do que se diz, o hedonismo abrange os prazeres esperados da mesma forma que os desprazeres dispensáveis. Se põe como cálculo do regozijante ou aborrecido, do agradável e do desagradável, para somente depois julgarmos antes de agir. Epicuro explica tal matemática ao ensinar que um prazer não merece ser desfrutado se for seguido de um desprazer. O mero júbilo instantâneo se torna relativo e apenas procurado se considerarmos o momento após o instantâneo.

Gladiador e Filosofia

por Breno Lucano

Gladiador foi, seguramente, um dos filmes que mais marcou minhas reflexões filosóficas e que me influenciou desde o início, impelindo-me para a investigação dos meandros estóicos e, de modo muito particular, ao universo de Marco Aurélio. Isso fez com que, em 2005, criasse o Portal Veritas como forma de publicar textos à respeito do Imperador e de seu pensamento, algo que preservo ainda hoje à partir da coluna com seu nome.

Escrevi já bastante coisa sobre Marco Aurélio, onde destaco os textos Marcus Aurelius, Homem, Filósofo e Guerreiro e As Meditações de Marcus Aurelius. Mas o filme nos confere já algumas reflexões, apesar de suas limitações. A grandiosidade da produção é um show à parte, que garante um bom entretenimento.