Sobre as Cotas Étnicas

por Breno Lucano

Cotas raciais é um daqueles temas em que as pessoas, de modo geral, negam-se a ouvir. As pessoas gritam "esquerdista", "comunista", "fascista". Elas não conseguem ouvir. O ódio toma conta da reflexão. Já escrevi um pouco disso no texto Política Pública de Minorias.

A política étnica de cotas são uma tentativa de acelerar o processo de integração. Pelo processo normal os negros não ocupam os espaços que poderiam ocupar. Essa política serve para que ocorra o costume de se encontrar os negros nesses lugares, lugares onde historicamente não deveriam estar, mas agora estão. Esse é um passo para terminar com o preconceito. Isso ocorreu nos EUA com republicanos e democratas.

Claro, esse processo político não pode substituir o processo natural do liberalismo que diz que a escola deve ser pública e de boa qualidade e essa escola que fará integração. No Brasil a escola não fez esse papel. Os negros não conseguiram se manter nessas escolas. O motivo: preconceito étnico.

Movimento Black Bloc

por Breno Lucano

Uma dificuldade notória em termos de pesquisas sociais na sociedade brasileira atual é a imparcialidade que se torna necessária para entender o fenômeno. Afastar as noções de bem ou mal e justo ou injusto são fundamentais para que se faça uma leitura adequada dos eventos sociais.

Deparei-me com um livro bem interessante chamado Mascarados: A Verdadeira História dos Adeptos da Tática Black Bloc, escrito pela socióloga e pesquisadora Esther Solano. O livro surgiu de suas conclusões após intenso convívio com os jovens adeptos da tática, através do qual se pôde dar prosseguimento às pesquisas in loco.

À primeira vista o que temos visto nas manifestações que se originaram com o reajuste das passagens de ônibus e prosseguiram em outras manifestações é a grande massa afirmando que não se faz protestos c om violência. Ainda mais, que democracia não se faz com violência e que o povo brasileiro é pacífico. Mas ao falar isso não se considera que o sistema político, corporativo e social são extremamente violentos. A violência estrutural é imperceptível para a maioria, mas não significa que não exista.

Qual o Verdadeiro Platão?

por Breno Lucano

Platão foi lido e continua sendo no decorrer dos séculos. Mas com frequência vemos platões diferentes, especialmente quando comparados a diversos períodos históricos. Assim ocorre quando temos o Platão lido por Aristóteles, aquele autor preocupado com a distinção entre o mundo sensível e o mundo inteligível, com o ser e o não-ser e com as questões lógicas do conhecimento.

Se compararmos com o Platão do século VI. O Platão de Plotino é algo bem diverso. Esse é o filósofo preocupado com a teologia: o Bem (a idéia suprema para Platão) é o ser uno e indizível, luz infinita, impensável e incalculável pelo espírito comum, espalhando em emanações capazes de criar o mundo, desde as formas estritamente espirituais até as imanentes.

Para os primeiros cristãos o verdadeiro Platão é o da imortalidade da alma, da crítica do corpóreo, da purificação espiritual, da salvação.

Ideologia e Alienação

por Breno Lucano

Talvez a palavra mais usada atualmente, embora em termos bem vulgares, seja ideologia. Periódicos e as redes não cansam de falar em ideologia de gênero, ideologia marxista, ideologia feminista. Mas o que é ideologia?

O conceito de ideologia origina-se na obra  do iluminista Antoine Destutt de Tracy, autor do tratado Les élements de l'idéologie (1801-1807) e que pertenceu a um grupo de pensadores que incluía o filósofo Dégerando, o médico Cabanis e o matemático Condorcet, que passaram a ser conhecidos nesse período como "ideólogos" (idéologues). A proposta original era a de formular uma genealogia da idéia, decompondo o processo de formação das idéias no homem. Esse projeto foi influenciado pelo sensualismo de Condilac, em seu Tratado das Sensações (1754), que, por sua vez, inspira-se no empirismo de Locke. As teorias dos ideólogos era servir como fundamento para a educação, fornecendo em última análise as bases para a reforma da sociedade no sentido iluminista.

Será o Homem Racional?

por Breno Lucano

"Então vá fumar maconha. Maconha ajuda a ter uma vida mais feliz... As implicações lógicas são fundamentais em qualquer discurso filosófico. Mesmo que o resultado disso seja o niilismo, o caos e o desespero... Quem busca a felicidade de bobo-alegre, aquela felicidade baseada numa sentença mágica, num mecanismo milagroso, numa dieta revolucionária é a 'auto-ajuda'". - Resposta de um usuário do G+

Essa resposta foi-me dada como reação a um de meus posts no G+ que se segue:

"Pouco importa se uma dada filosofia faz ou não sentido, se possui implicações lógicas ou metafísicas falsas. A pergunta que se deve fazer é: ela o ajuda a ter uma vida mais feliz?"

Em muitos aspectos achei essa resposta interessante. Ela se refere àquela que possivelmente é a questão central da filosofia, já muito discutida sob variados enfoques: como desfrutar de uma boa vida? Essa questão, como sabemos, foi refletida na antiguidade por variados autores, perpassou o medievo, atingiu a modernidade e encontrou seu ápice na pós-modernidade. Longe de afirmar que uma visão sobrepuja a outra. Isso não seria filosofia, por mais que alguns assim o vejam. Antes, tratam-se apenas de abordagens.

Moral e Caráter

por Breno Lucano

Todo ato moral, qualquer que seja, implica necessariamente em consciência e liberdade. Isto porque consciência e liberdade são indispensáveis para a moralidade ou, em outras palavras, apenas é moral o indivíduo que seja consciente de seu ato e esteja livre para optá-lo.

Contudo a moralidade é um evento social. Embora exercido indivudalmente, as bases que incindem sobre a moralidade possuem fundamentação em interesses e necessidades sociais. A atividade moral se realiza no quadro de várias condições das quais fazem parte os valores, princípios, normas, tal como a estrutura ideológica que existe nas instituições e meios de comunicação em massa. Mas deixemos de lado por hora os mecanismo através dos quais tais instituições influem a moralidade e passamos a investigar tão somente o indivíduo.